16
mai 2011
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Mensagens em embalagens de roupas íntimas…pode?

Um projeto de lei bastante curioso acaba de ser aprovado pela Comissão de Constituição de Justiça da Câmara, de autoria do deputado goiano e peemedebista Barbosa Neto. O PL 261-C, de 1999, dispõe sobre a obrigatoriedade de inserção nas embalagens de roupas íntimas em todo o Brasil, de orientações impressas sobre a importância de exames preventivos de câncer de mama, colo de útero e de próstata.

Inicialmente, a proposta era de que as etiquetas das roupas íntimas contivessem as mensagens, mas uma emenda proposta pela ex-deputada Rita Camata (PSDB) e logo aprovada mudou o local das mensagens para as embalagens, onde há mais espaço e facilidade para sua leitura. Também aprovado pelo Senado, agora o PL aguarda a sanção presidencial.

A possível obrigatoriedade da inserção das mensagens pegou o mercado de surpresa. Se inserir mensagens nas etiquetas já causa enorme estranhamento, nas embalagens dos produtos não é muito diferente, uma vez que roupas íntimas, em muitos casos, não são sequer vendidas dentro de embalagens que suportam, adequadamente, a colocação de um texto explicativo. A ideia é que embalagens de produtos para mulheres adultas recomendem exames periódicos de prevenção ao câncer de mama e de colo do útero e que as masculinas alertem para a prevenção ao câncer de próstata.

No Brasil, existem cerca de seis mil empresas no segmento de moda íntima, produzindo em torno de 1,8 bilhão de peças por ano. Caso se torne lei, a indústria será obrigada a inserir as mensagens nas embalagens de seus produtos. E não haverá exceções, pois a lei prevê punições a quem não participar – que vão da advertência ao cancelamento do registro do produto e suspensão de autorização para o funcionamento da empresa. Caberá ao Ministério da Saúde estabelecer as condições para a aplicação e fiscalização dessas normas.

Pergunta

Roni Argalji, presidente da Du Loren, a maior empresa do ramo de moda íntima do Brasil, questiona a eficácia da lei. “O câncer é um problema de saúde sério e grave no País e sou a favor de campanhas de prevenção, no entanto, questiono se essa lei atenderá o objetivo desejado. O problema está nos hospitais, que sequer têm condições de atender às demandas por exames. Acredito que a medida é tapar o sol com a peneira”, argumentou Argalji.

Valquírio Cabral Junior, diretor comercial da Lupo, uma das maiores empresas de produtos de fibras e fios do País, também duvida de sua efetividade. “Tudo é válido para a prevenção ao câncer e se o projeto virar lei naturalmente iremos participar, mas será que vai funcionar? Alguém vai de fato ler as mensagens? Questiono a eficácia dessa medida e acredito que ações do Ministério da Saúde através de campanhas específicas tenham melhores resultados. Por que só a indústria de moda íntima deve se responsabilizar por mensagens do gênero e não outros produtos de consumo?”, questionou o executivo.

COMENTÁRIO

É o Festival de Besteira que Assola o País, como diria o saudoso Stanislaw Ponte Preta.

Nada mais importante a tratar, em Brasília.

JJ



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