22
jan 2012
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A Invenção da Escrita.

Mapa da Mesopotâmia
(terra entre os rios Tigre e Eufrates)

A economia da Mesopotâmia baseava-se principalmente da agricultura, mas os povos da região desenvolveram também a criação de gado, o artesanato, a mineração e um ativo comércio à base de trocas que se estendia à Ásia Menor, ao Egito e à Índia. Já a Fenícia carecia de irrigações, o que dificultou a agricultura nessa região, mas ela possuía o Mediterrâneo ao seu favor, e isto lhe bastou para se lançar ao mar e desenvolver um astuto comércio com outros povos.
Os fenícios assimilaram as culturas do Egito e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mediterrâneo, do Oriente Médio até as costas orientais da península ibérica. Necessitando registrar, ou gravar de alguma forma seus negócios, os fenícios adaptaram a escrita cuneiforme criada pelos sumérios e acabaram deixando o maior legado que foi um alfabeto do qual derivam os caracteres gregos e latinos. Veremos a seguir um pouco das marcas que estão presentes até hoje em vários aspectos da nossa sociedade deixadas pelos Sumérios e, consequentemente, pelos Fenícios.
OS SUMÉRIOS

Mapa da Suméria com destaque
para as principais cidades

Além da água e comida encontradas em abundância na região, outro fator que explica a sedentarização dos Sumérios era a segurança com que viviam na Mesopotâmia, pois aquela área é cercada por algumas cadeias montanhosas ao norte e à oeste, pelo Golfo Pérsico ao sudoeste, e pelo deserto da Síria ao sul e leste. Isso os dava uma grande proteção a ataques de outros povos que viviam nas proximidades dali.

Zigurate

O povo sumério é responsável pelos primeiros templos e palácios monumentais e pela fundação das primeiras cidades-estado. Para se ter uma idéia, os sumérios eram excelentes arquitetos e construtores, desenvolveram os zigurates. Estas construções eram em formato de pirâmides e serviam como locais de armazenagem de produtos agrícolas e também como templos religiosos. Construíram várias cidades importantes como, por exemplo: Ur, Nipur, Lagash e Eridu.. Tudo no período de 4000 anos a.C. a 1900 a.C., depois disso a Suméria entrou em declínio, sendo absorvida pela Babilônia e pela Assíria.
A ESCRITA CUNEIFORME
Durante milhares de anos os homens sentiram a necessidade de registrar visualmente, ou seja, de “ler” as informações. Desenvolvida originalmente para guardar os registros de contas e trocas comerciais, a escrita tornou-se um instrumento de valor inestimável para a difusão de idéias e informações. Foi na Antiga Mesopotâmia há cerca de 4 mil anos atrás, que se desenvolveu a escrita.

Tablete de argila com escrita cuneiforme
A tradução do alfabeto cuneiforme, da Mesopotâmia, para o alfabeto atual, invenção atribuída aos fenícios.

OS FENÍCIOS

Mapa da Fenícia
(atuais Líbano, Síria e norte de Israel)

Os Fenícios cultivavam cereais, legumes e linho nas estreitas planícies entre as montanhas e o mar. Mas, no inicio de sua história, a pesca foi sua atividade econômica mais importante, pois do solo, não encontrariam nunca os meios suficientes para sua segurança (ROSOLIA, [s.d.], p. 101). Assim, a grande quantidade de madeiras existentes nas florestas das montanhas contribuiu para a construção de embarcações.
Com o tempo, ali começaram a se desenvolver várias cidades, tendo sido Biblos, Ugarit, Sídon e Tiro as mais importantes. Cada cidade constituía um Estado, governado por um rei. O poder desses monarcas fenícios nunca foi tão grande como o dos reis de outras civilizações orientais, porque os sacerdotes eram muito influentes. Além disso, havia o Conselho de Anciãos, com grande poder, formado por comerciantes ricos.
Das atividades da pesca, os fenícios evoluíram para o comércio marítimo. Desenvolveram técnicas de navegação, e suas embarcações atingiam regiões distantes, onde nenhum outro povo da época se atrevia chegar. Uma de suas rotas atravessava o estreito de Gibraltar, e chegava à Inglaterra. Existe ate mesmo uma hipótese, baseada em achados arqueológicos, segundo a qual os fenícios costearam todo o litoral africano, do leste para o oeste.

Os fenícios comercializavam as mercadorias de todos os outros povos orientais, mas também desenvolveram um artesanato próprio, que incluía jóias, vidro e tecido de lã, seda, algodão e linho. Esses tecidos eram tingidos com uma substancia extraída de um molusco, com a qual obtinham diversas tonalidades.
O volume dos negócios fenícios obrigou seus comerciantes a se tornarem hábeis em contar, medir e registrar a contabilidade. Provavelmente essa necessidade forçou os fenícios a encontrarem uma forma de simplificação dos antigos sistemas de escrita, o que deu origem ao alfabeto. Sua grande invenção foi escolher vinte e dois sinais para representar os diferentes sons da linguagem humana, no lugar da infinidade de sinais que simbolizavam silabas ou palavras, nas escritas dos antigos povos.
Acreditou-se durante muito tempo que esses intrépidos navegadores tivessem sido os inventores do vidro, da moeda e da faiança; atribuíram-lhes mesmo a invenção do alfabeto. Ora, recentes trabalhos demonstram que, se os fenícios foram excelentes imitadores e agentes de civilização, nada criaram. Contribuíram simplesmente para a difusão dos produtos da arte e da indústria, manufaturados ou fabricados por outros povos. (LISSNER, Ivar. 1968, p. 97)
ESCREVENDO UMA NOVA HISTÓRIA

A escrita, segundo John Man (2007), teria sido inventada quatro vezes, de forma independente, na China, Egito, América Central e Mesopotâmia, em cerca de 4000 a.C. Já o alfabeto teria surgido uma única vez, no Egito, há 4 mil anos. Até então, os sistemas de escrita eram silábicos ou ideográficos – com uso de sinais que representam objetos concretos.
Tais sistemas comportavam o problema da ambiguidade: nos hieróglifos egípcios, por exemplo, um sinal gráfico podia representar o objeto retratado ou o som de sua primeira letra. As mais antigas inscrições alfabéticas conhecidas são vestígios de cerâmica descobertos em 1990 no Egito. O conceito de alfabeto se difundiu do Egito para regiões adjacentes e atingiu a Ásia em cerca de 1200 a.C. Muitas vezes a dispersão pode ser explicada por trocas comerciais, como na relação observada entre fenícios e gregos no final dos anos 900 a.C. A partir de adaptações gregas do alfabeto fenício, surgiu em 800 a.C. o alfabeto do mundo ocidental. Os mais antigos registros conhecidos de obras realizadas com tal sistema foram A Ilíada e A Odisséia (século 8 a.C.), atribuídas a Homero.
John Man argumenta que os gregos não teriam exercido tanta influência sobre a civilização ocidental não fosse a invenção do alfabeto, que permitiu fixar seus escritos. Destaca ainda que os gregos foram fundamentais para a difusão do sistema alfabético devido a seu desenvolvimento cultural. O próprio termo alfabeto surgiu das duas primeiras letras do sistema grego, alfa e beta. A tomada da Grécia pelos romanos, segundo John, explica como o alfabeto se tornou romano.
As origens do alfabeto que usamos hoje ainda não foram completamente esclarecidas e novas descobertas continuam vindo à tona.

Entre a Ásia, a África e Europa, uma região fertilizada pelas inundações periódicas de dois grandes rios atraiu muitos povos e os obrigou a desenvolver obras de engenharia. Para coordenar sua realização surgiu o Estado. Essa região foi chamada Mesopotâmia e dominada, sucessivamente pelos sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus. Outros povos vizinhos à Mesopotâmia também desenvolviam sua história, como os fenícios.

Os Sumérios foram o primeiro povo a habitar a região da Mesopotâmia, o atual Iraque, compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. O motivo da sua chegada ainda é ignorado, mas provavelmente tenha sido a falta de comida e água, já que os Sumérios viviam como nômades vagando pelo Planalto do Irã e no alto dos Montes Zagros.

Os sumérios talvez sejam mais lembrados devido às suas muitas invenções. Muitas autoridades lhes dão crédito pelas invenções da roda e do torno de oleiro. Seu sistema de escrita cuneiforme foi o primeiro sistema de escrita de que se tem evidência, pré-datando os hieróglifos egípcios.

No início, a escrita era feita através de desenhos: uma imagem estilizada de um objeto significava o próprio objeto. O resultado era uma escrita complexa (havia pelo menos 2.000 sinais) e seu uso era bastante complicado. Assim, os sinais tornaram-se gradativamente mais abstratos, tornando o processo de escrever mais objetivo. Finalmente, o sistema pictográfico evoluiu para uma forma escrita totalmente abstrata, composta de uma série de marcas na forma de cunhas e com um número muito menor de caracteres. Esta forma de escrita ficou conhecida como cuneiforme (do grego, em forma de cunha) e era escrita em tabletes de argila molhada, usando-se uma espécie de caneta de madeira com a ponta na forma de cunha. Quando os tabletes endureciam, forneciam um meio quase indestrutível de armazenamento de informações.

Os Pictogramas eram difíceis de aprender e embora o método cuneiforme fosse muito mais fácil, a escrita daquela época era restrita aos escribas profissionais. Com o objetivo de determinar a posse de algo, quase sempre um selo era usado. Os selos primitivos constavam simplesmente de um desenho pessoal referente ao proprietário. Mais tarde, uma inscrição por escrito, seria também incluída.

A escrita cuneiforme teve muito sucesso. Milhares de tabletes de argila foram desenterrados contendo registros de transações comerciais e impostos de cidades da Mesopotâmia, e a escrita cuneiforme foi usada para escrever a língua sumeriana. A escrita cuneiforme também foi usada para a forma escrita das línguas da Assíria e Babilônia, línguas bastante diferentes da sumeriana. Embora a escrita cuneiforme fosse muito menos adaptada a estas línguas, a escrita foi amplamente usada no Oriente Médio, numa vasta gama de documentos, desde registros comerciais até cartas de reis. O sucesso da escrita cuneiforme foi parcialmente devido ao fato de que suas matrizes em forma de cunha eram bastante adequadas para o meio em que se escrevia – o tablete de argila.

A Fenícia localizava-se numa estreita faixa de terra, limitada a oeste pelo mar Mediterrâneo e a leste pela cadeia de montanhas do Líbano. O mar era a “porta” natural das cidades que ali se desenvolveram, pois as montanhas dificultavam o acesso em direção a leste.

Nas suas viagens, os fenícios fundaram inúmeras colônias no litoral do mar Mediterrâneo, sendo a mais famosa a cidade de Cartago, no norte da África. Mantinham as rotas comerciais em segredo e, para impedir que concorrentes atrapalhassem seus negócios, espalhavam lendas terríveis sobre os locais que visitavam.

O atual alfabeto, sistema de escrita mais difundido no mundo ocidental, teve origem há 4 mil anos no Egito, quando pela primeira vez se tentou representar toda a variedade de significados da língua mediante o emprego de símbolos gráficos pré-fixados.

Escrita egípcia (hieróglifo, um dos tipos da escrita egípcia)

Escreva em hieróglifo usando o recurso deste site:http://antigoegito.tripod.com/escrita.htm

Alfabeto grego



CONSIDERAÇÕES

Muitas foram as colaborações, ou as heranças, principalmente culturais, deixadas pelas civilizações do passado para a nossa civilização presente.

Sem dúvida, além da agricultura, das artes, da roda, entre outras tantas invenções e até mesmo estilos de vida, um dos maiores legados deixados pelos nossos antepassados foi o alfabeto. Não apenas o alfabeto escrito, mas o falado também, pois a escrita surgiu da necessidade de expressar os sons, a comunicação. Através de palavras, tanto escritas quanto pronunciadas, podemos expressar nossos sentimentos e emoções, nossas capacidades, nossas metas ou resultados, nossos pensamentos, registrar fatos, enfim, deixar marcada para sempre uma história.

……


Fonte: Remexendo o passado.

….

COMENTÁRIO

Não haveria Comunicação, nem transmissão de Cultura e de História, nem Educação, nem como desenvolver a evolução humana, sem os símbolos e a escrita.

Por isso, não consigo entender as iniciativas para deixar de ensinar a escrita cursiva, e mesmo a caligrafia (como os jovens escrevem mal e feio), por exemplo, nas escolas do Brasil e de outros países – confiando na perspectiva de que todos irão escrever somente nos computadores e celulares, com dois dedos…

E se não tiver computador?

Bem, hoje, quase 80% dos habitantes deste planeta não sabem o que é um computador, ou a tal da internet.

Como iremos nos comunicar com eles? Só verbalmente?

Como educar os analfabetos? Sem escrever?

Deixo o tema, para comentários dos meus leitores e leitoras, lembrando que este post trata da escrita desenvolvida no mundo ocidental. Aliás é incompreensível que, até hoje, nossas escolas ensinem a História do Mundo, referindo-se somente à Europa e Oriente Médio (isso no princípio das eras e, depois, só com relação às Cruzadas), como se o mundo da Ásia, África e Oceania não existisse.

Como se desenvolveu a escrita na China, no Japão e em outras regiões do planeta, sem a influência e o domínio europeu?

Nada sabemos, nada nos ensinam nas nossas escolas – e há muito que aprender e conhecer, para uma Cultura mais completa.

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JJ

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