1
mar 2012
0
comentários

Quanto lixo!

chamada

Quando o caminhão de coleta passa, levando embora o que descartamos ou desperdiçamos ao longo do dia, parece que o lixo evaporou. Como resultado, existe uma sensação de segurança em continuar o ritmo de consumo e descarte, como se isso não estivesse levando a nada. Só que não é bem assim. A destinação do lixo é um problemão nas grandes cidades e não dá mais para ignorar a montanha de resíduos que, todos os dias, se acumula nos aterros, contaminando o meio ambiente e pondo em risco a saúde da população. No Brasil, apenas 13% do lixo é reciclado. Muito pouco, em vista de outros países, como a Alemanha, que recicla 43% do que descarta. Parece um problema incontrolável? Pois não é.

Segundo o mestre em Antropologia Social e doutor em Geografia Humana pela USP, Maurício Waldman, a saída é dar um basta imediato no consumo descartável. “Definitivamente e de uma vez por todas, a era do obsoleto tem que acabar”, alerta. Waldman recorda que a vida útil de um computador em 1997 era de seis anos. Hoje, é de menos de dois. Sem falar dos celulares, TVs e até mesmo automóveis, trocados frequentemente em nome do novo, da tecnologia, mas nem sempre do bom senso.

Em seu livro Lixo: Cenários e Desafios, finalista do Prêmio Jabuti 2011 na categoria Ciências Naturais, Waldman defende que a indústria tem que fazer sua lição de casa, revendo as modalidades de produção, consumo e descarte, mas as pessoas também precisam refrear seus impulsos, além de cobrar políticas públicas do governo. A  Política Nacional de Resíduos Sólidos, por exemplo, passeou 19 anos no Congresso até ser homologada em 2010, período em que se multiplicaram os lixões a céu aberto e se perderam milhões de toneladas de materiais úteis que poderiam ser reaproveitados.

A cultura do descarte não conhece limites, mas pode ser contida. Exemplos simples: lenços, toalhas de mão e guardanapos têm seus correspondentes de pano. Garrafas de vidro podem substituir latas e garrafas plásticas. Copos e xícaras de porcelana podem reocupar seu antigo posto, perdido ante a facilidade dos descartáveis. Sem falar no vilão da vez, as sacolas de supermercados, que muita gente já trocou pelas de algodão.

E mais uma dica: mesmo que sua cidade não tenha programa de coleta seletiva, ajuda muito contribuir com o catador. Ele, que já chegou a ser chamado de “grande herói ambiental do Brasil urbano”, ainda sofre com algum preconceito. Mas quem conhece a situação do lixo no Brasil de perto, como Waldman, explica que sem a ação dos catadores a situação seria caótica. “Aí sim as pessoas veriam o que é calamidade de verdade.”

SAIBA MAIS: Assista ao documentário Obsolescência Programada (em espanhol), no You Tube.

……

Fonte: Revista Herbarium.

.